quinta-feira

9-abril-2026 Ano 2

Mídias digitais moldam a opinião dos jovens: a alienação da Gen Z

Redes sociais e mídias digitais passam a influenciar comportamento e pensamento dos jovens a atualidade, trazendo impactos na formação de ideias e opiniões que refletem na sociedade como um todo
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O avanço nos meios de comunicação têm transformado a forma como a sociedade, principalmente jovens, consomem informações e constroem suas opiniões. Com o uso constante das redes sociais, a influência vai além da informação, impactando percepções e posicionamento nessa nova geração.

Com o surgimento dos novos canais de comunicação, as informações circulam com maior velocidade e quantidade, alimentando uma mídia altamente personalizada, gerando muitas vezes, a opinião rasa, falta de interesse e até mesmo a não procura de aprofundamento entre o público jovem.

Mas, toda essa situação não explodiu agora, foi algo construído lentamente e, para isso, é necessário olhar o passado para entender melhor.

Impacto das redes e fake news

Victor Missiato, doutor em História pela Unesp e hoje professor do ensino médio, vive em contato constante com os jovens, percebe as diferenças neles conforme a passagem do tempo. 

Missiato se preocupa com a proliferação da desinformação no ambiente digital, sobretudo com o fato de que a informação deixou de ser um “monopólio” de jornalistas. “Sim, isso potencializa o alcance das fake news, por exemplo. Diria que, com a democratização do acesso, às fakes News também se democratizaram.”

Victor comenta também que na sala de aula já não existe mais uma atenção contínua e que dura: os alunos não conseguem mais se manter atentos à aula durante muito tempo.  

“Ter a atenção dos alunos por 50 minutos é surreal”, afirma o professor. Para prender a atenção, ele optou pela seguinte estratégia numa aula sobre a Segunda Guerra Mundial: falar menos e mostrar trechos de filmes sobre o tema. “Aquilo ali prendia muito a atenção do aluno. Ele [o aluno] já não tem mais aquela coisa enciclopédica de ficar das 7 e 10 da manhã a 1 e meia prestando atenção, anotando, tentando relacionar as coisas.”

O professor conclui refletindo sobre como a comunicação do Século 21 afeta a democracia. Para ele, o cenário atual amplia a participação das pessoas, mas não garante avanços totalmente positivos. “Democracia é fazer com que as pessoas participem, fazer com que todas as pessoas possam participar. Democracia, então, é você pegar o celular, falar o que quiser. E quem aceitar, aceita. Quem rejeitar, rejeita”, afirma.

Giovanna Farias/agenZia

Influência da mídia na sociedade

Essa influência é tão predominante que serve como forma de dominação e manipulação social. Crianças, jovens e adultos vivem um ciclo vicioso de repasse de acontecimentos pelas redes digitais de comunicação. São bombardeados de informações a todo tempo de todo canto, porém o mal maior está na credibilidade e veracidade que os “reposts” e “compartilhamentos” dão a esses conteúdos.

Na eleição do Reino Unido de 2019 o primeiro ministro Boris Johnson teve vantagem pelo simples fato de ser bonito, pela forma como se apresentava, sempre sorridente, sorrisos esses que se tornaram “confiáveis”/”confiantes”.

O caso foi tão nítido que houve um estudo realizado pela Phys Org cujo título é “Tudo está no sorriso”, que desvenda como políticos usam o rosto para agradar os eleitores. A pesquisa mostrou como resultado que um sorriso tem o poder de aumentar sentimentos de confiança, o que reduz reações negativas entre eleitores, até mesmo aqueles que inicialmente não apoiavam o candidato. O público alinha emoções com mensagens políticas, o que acaba gerando um ultrapasse no peso das propostas políticas. 

Nikolas Ferreira, deputado federal (PL-MG), ganhou visibilidade a partir do ano de 2020 por conta de suas aparições nas redes sociais. Com linguagem jovem e um estilo direto, ele é alvo de comentários como: “vou apoiar ele porque ele é bonito”. 

Fenômenos como esses têm se tornado mais frequentes e normalizados. Nas questões climáticas, desinformações são criadas para legitimar ações que vão contra a preservação do meio ambiente. Um caso recente é o surgimento da mentira nas redes sociais de que as queimadas na floresta amazônica são realizadas pelos povos originários e indígenas. É o oposto disso.  O desmatamento é originado por atividades ilegais das mais diversas formas, como a abertura de novas áreas para expansão de atividades agropecuárias.

Consumo e busca

É claro que essas novas mídias e novos meios têm afetado outras áreas da comunicação também.  A estudante de Publicidade e Propaganda Naymi Saito afirma que o contato com novos conteúdos já fez mudar  de opinião e forma de pensar. “Eu tinha um pensamento, às vezes de certa forma até um certo preconceito. Vendo mais aprofundado sobre o assunto, acabo vendo o outro lado mudando totalmente de pensamento”, conta.

Para ela, apesar dos riscos, o ambiente digital pode ampliar horizontes e incentivar o contato das diferentes perspectivas. “Pode ser bom ou ruim, você pode ter outros tipos de pensamentos, outras opiniões. Não ficar só naquele mundinho fechado onde as pessoas costumam ficar”.

Naymi sente que o impacto das mídias é evidente, principalmente na questão de compartilhamento. “Isso, sem dúvida, pode influenciar muito. A partir do momento em que  pessoa acredita em uma informação, acaba deixando de pesquisar para confirmar se aquilo é verdadeiro.” Segundo ela, esse tipo de comportamento faz com que as pessoas se prendam a uma realidade limitada. “Acaba que a pessoa prefere acreditar na própria realidade que criou”, completa.

Julia Lopes/agenZia

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Julia Lopes Duarte