Nos últimos anos, as redes sociais passaram a ter um papel importante na vida acadêmica de muitos jovens. Influenciadores educacionais, que compartilham rotinas de estudo, experiências universitárias e dicas de carreira, vêm se tornando referência para estudantes que estão decidindo qual caminho seguir. Esse tipo de conteúdo ajuda a esclarecer dúvidas e aproximar os adolescentes do universo das profissões, mas também pode gerar expectativas distorcidas, já que nem sempre mostra a complexidade real dos cursos e do mercado de trabalho.
A facilidade de acesso a esse tipo de conteúdo faz com que muitos jovens passem a confiar nessas referências digitais como principal fonte de orientação, muitas vezes deixando em segundo plano a orientação escolar, familiar ou profissional. A escolha do curso deixa de ser apenas uma decisão individual baseada em interesses e habilidades e passa a sofrer influência de tendências, algoritmos e da forma como as redes sociais apresentam determinadas carreiras.

Na prática, a influência desses criadores de conteúdo vai além da apresentação de cursos ou dicas de estudo. Ela passa, principalmente, por um processo evolutivo e contínuo, fundamental para a construção da identidade pessoal. Ao compartilhar experiências, erros e mudanças de rota, influenciadores ajudam a desmontar a ideia de que existe um caminho único e linear.
A influência dos criadores de conteúdo
É o caso do youtuber Umberto Mannarino, que produz conteúdo educacional há mais de dez anos com um canal com mais de 1 milhão de inscritos e 73 milhões de visualizações. Em seus vídeos, ele compartilha sua trajetória — passando por cursos como Jornalismo, Publicidade e Química até chegar à Pedagogia — e mostra que podemos construir a escolha profissional com o tempo, sem pressa. “Tento mostrar para as pessoas que existem outras formas, outros meios de conquistar realização profissional”, afirma.

Esse tipo de narrativa ganha força por apresentar uma dimensão mais humanizada das decisões. “Muitas pessoas falam que, graças aos meus vídeos, conseguiram entrar na faculdade no curso que queriam”, diz. Ao mesmo tempo, ele ressalta que parte do público ainda opta por caminhos convencionais, o que indica que a influência funciona mais como apoio.
Temos outros casos como o de Mannarino nas redes sociais, onde um criador de conteúdo ajuda seus seguidores a seguirem caminhos na vida profissional, temos também Marcelo Tas e Débora Aladim, que dão dicas e ajudam jovens a como escolher um curso.
Vídeos que abordam esse tema também podem ser encontrados no TikTok, porém, a plataforma engaja com mais frequência vídeos com curta duração. Então se a pesquisa for ser feita pelo TikTok é necessário uma boa seleção de quais conteúdos acompanhar para que a procura por um curso seja feita de maneira segura.
Redes sociais como ferramenta de pesquisa
O impacto desses influenciadores também aparece na experiência da universitária Elisa Nuñez, aluna de Jornalismo. Embora sua escolha tenha começado por pesquisas mais amplas, o contato com criadores de conteúdo e profissionais da área foi essencial para consolidar sua decisão. “À medida que eu pesquisava, fui conhecendo pessoas e me inspirando na carreira delas”, explica. Utilizando redes sociais como TikTok, YouTube e Instagram, ela teve acesso a diferentes visões e conseguiu entender melhor as possibilidades.

Para Elisa, acompanhar criadores que mostram não apenas os aspectos positivos, mas também as dificuldades da profissão, é essencial para uma escolha mais consciente. “Eu busco influenciadores que mostram realmente as dificuldades e os benefícios da carreira”, afirma. A diversidade de relatos, incluindo frustrações, contribui para uma visão mais realista sobre o curso e o mercado de trabalho.
Referências digitais na formação profissional
Esse cenário dialoga com o que aponta o estudo publicado pela Nova Escola. A pesquisa destaca que identificação, pertencimento e experiências compartilhadas têm um peso crescente nas decisões dos jovens “Especialmente porque as mudanças no jeito de educar, neste caso, envolvem questões mais amplas, como as ligadas ao mundo do trabalho”.

O próprio Mannarino reforça a necessidade de encarar a escolha profissional como um processo em construção. “Não é tempo perdido experimentar e depois decidir se é aquilo ou não”. Para ele, o período entre o fim da adolescência e o início da vida adulta deve funcionar como uma fase de experimentação, na qual mudanças de curso e redirecionamentos integram o desenvolvimento pessoal e profissional.
Nesse cenário, a influência digital se firma como um fator relevante, mas que atua em conjunto com outras referências na hora da decisão. Diante de tantas informações, experiências e pontos de vista, a escolha do curso passa a ser um processo mais aberto e dinâmico, em que o jovem precisa equilibrar inspiração e análise para definir o próprio caminho.
A IA auxiliou de forma significativa em etapas da produção deste conteúdo.
- ✍️ Texto: auxílio de IA