Ativismo por necessidade, ansiedade climática e consciência ambiental marcam uma crise herdada pelos jovens que agora estão tentando resolvê-la em prol da existência de gerações futuras.

Pesquisas como a do relatório do Unicef que mostram que 89% das pessoas sentem que nada está sendo feito para frear a mudança climática abalam jovens como Alex Carnavalli, estudante de Biologia pela Unifesp. “Tento manter esperança, mas se continuar do jeito que as coisas estão, acho difícil ir pra frente”, desabafa ele. Representante da Gen Z, Carnavalli está entre os 81% que não se sentem escutados, segundo o estudo. Nove de cada dez jovens são muito preocupados com o futuro do planeta.
A bióloga Gabriela Pereira Ribeiro, de 28 anos, nutre sentimentos parecidos, mas usa-os como postura de resiliência: “Quanto mais estudo, mais me sinto desesperançosa. Por isso me aproximo dos movimentos políticos, pois eles são os instrumentos de luta e conquista para melhorar as condições de proteção ambiental”.
Geração consciente?
É fato que o meio ambiente está sendo desintegrado e que há a presença da Gen Z nas discussões ambientais. A Geração Z (1995-2010) é associada à consciência sobre pautas sociais e políticas, e é considerada a primeira geração nativa digital, ou seja, cresceu diante das telas. Esse acesso à informação, junto a um senso de justiça conferem a esses jovens uma característica mais ativa por mudanças nas pautas que concernem o bem estar social.
Um exemplo dos últimos anos foi a onda de protestos no Nepal, encabeçada por jovens insatisfeitos com o cenário político do país, resultando na derrubada do primeiro-ministro.
Quando comparado ao contexto ambiental, na década mais quente da história (2015-2025), segundo relatório da Organização Meteorológica Mundial, estariam os jovens entusiasmados o suficiente para reverter os índices da temperatura global? Alex afirma que a atual geração de jovens carrega o peso dos erros das gerações anteriores e por isso são mais conscientes. “O fato de estarmos vivendo esse caos ambiental contribuiu para nós buscarmos se conscientizar mais, mas poucas pessoas da GenZ são incentivadas na educação”, desabafa.
Vinícius Hashitani, também estudante de Biologia, enxerga a diferença geracional na própria rotina, o que revela maior conscientização dos jovens: “Meu pai não sabe a diferença dos lixos para reciclagem. Então, na minha geração, eu vejo que muito provavelmente todas as pessoas vão saber pelo menos a diferença entre os lixos da reciclagem”.
A Geração Z demonstra forte consciência sobre seu papel na melhoria das condições ambientais. Gabriela utiliza suas redes sociais para divulgar conteúdo científico e reforça como esse grupo tende a ser mais informado sobre o clima, além de utilizar a internet como espaço de troca de ideias entre pessoas da mesma faixa etária:
“Como bióloga da GenZ, eu utilizo as minhas redes para divulgar a ciência. Às vezes eu divulgo o que eu tenho produzido, mas sem muito rigor. No geral eu tento compartilhar conteúdos produzidos por pessoas que eu confio na ciência”, disse em entrevista à Agenzia.
Participação e consciência não faltam. É certo o interesse juvenil que pressiona as cúpulas globais de tomadas de decisão. Mesmo assim, os dados continuam desfavoráveis à saúde da natureza e ao bem estar social, fator que desestimula a luta.

Clima, luta e saúde mental
As palavras acompanham as transformações sociais, e com a Geração Z não foi diferente. Em 2021, o Dicionário Oxford incorporou o termo “eco ansiedade” para definir a preocupação diante de ameaças ambientais, depois adaptado pela Academia Brasileira de Letras como um estado de angústia diante das consequências das mudanças climáticas.
Segundo Caroline Hickman, da University of Bath, jovens tendem a ser mais vulneráveis emocionalmente por não terem vivido um mundo sem eventos climáticos extremos. Sua realidade, marcada pela incerteza ambiental, influencia decisões e impacta o modo de vida dessa geração.
“Eu acho que não vou botar uma pessoa no mundo sabendo que ela pode morrer por motivos climáticos […] Perco um pouco de vontade de continuar, justamente porque, cara, o mundo já tá acabando”, disse o universitário Alex. Gabriela, bióloga, acrescenta: “Também vejo que temer o futuro pelas questões climáticas me faz pensar em optar por adotar ao invés de gestar uma criança. Não quero trazer ao mundo mais pessoas para sofrerem com todas essas questões.”
A juventude que se consolidou com promessas e desilusões de futuro agora lida com limites e prazos em uma corrida contra o tempo. Posts, fazer científico e escolhas familiares e pessoais redesenham-a o que é futuro em um mundo esgotado. Para a juventude, a vida não parece longa e o “ser jovem” não pode mais ser “o que ainda não é”. Ela tem que ser agora, porque é dela que surgirão novas formas de existir e criar possibilidades, mesmo que por necessidade e não otimismo. E isso com certeza é uma tarefa difícil.
Este conteúdo foi produzido integralmente por humanos, sem uso de IA em nenhuma etapa.