“Durante uma entrega, uma assistida comentou que não conseguia usar o absorvente porque não tinha calcinha”, relata Vanessa Koyano, CEO da ONG Banho de Gato, em entrevista à Agenzia. Segundo ela, o absorvente passou a integrar o kit feminino, tornando-se seu item de maior custo. Ainda assim, a realidade nas ruas segue enfrentando vulnerabilidades profundas.
A pobreza menstrual ainda é uma realidade invisibilizada que afeta milhões de meninas e mulheres no Brasil e no mundo. Muito além da falta de acesso a absorventes, ela revela desigualdades relacionadas à renda, educação e dignidade. Nesse contexto, discutir a pobreza menstrual é também falar sobre direitos básicos, saúde pública e justiça social, evidenciando a urgência de políticas que garantam dignidade para todas.
Impactos da pobreza menstrual
A vulnerabilidade menstrual é um fenômeno que vai muito além da simples falta de absorventes, configurando-se como uma limitação severa à liberdade, à dignidade e aos direitos fundamentais de meninas e mulheres, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade.
No artigo “Period poverty: a scoping review”, com base em dados da ONU Mulheres, estima-se que 12,8% da população feminina mundial vive em situação de precariedade menstrual. Além disso, cerca de 526 milhões de pessoas não dispõem de condições adequadas para menstruar com dignidade, enquanto 1,25 bilhão sequer têm acesso a banheiros seguros.
O projeto Garotas de Vermelho é integrado por meninas de 10 a 15 anos e é voltado à promoção da dignidade e saúde menstrual no ambiente escolar. Em entrevista à Agenzia, Alice Aparecida Passos, uma das integrantes do projeto, compartilhou uma experiência pessoal com a pobreza menstrual, quando a menstruação dela estava começando faltou absorvente. “Nessa situação, precisei improvisar com papel higiênico, e foi muito ruim, porque vazava e causava muito desconforto. Quando isso aconteceu, me senti muito envergonhada e com medo de que a menstruação vazasse e alguém percebesse, então fiquei com bastante vergonha”.
Por que é importante educar sobre menstruação?
O conhecimento sobre menstruação é essencial para entender o próprio corpo e permitir tomar suas próprias decisões, assim sendo possível promover saúde e bem-estar.
“A menstruação é assunto de todo mundo. Quem menstrua, precisa saber cuidar de si, e quem não menstrua convive com quem menstrua. Então, deve haver um interesse coletivo. A gente sabe que ainda é um tabu, que é difícil falar sobre isso, mas é muito importante começar a quebrar esse tabu. Porque, se ninguém fala sobre menstruação, quem cuida de quem menstrua? Por isso, é fundamental falar sobre menstruação com todas as pessoas”, afirma Manuella Barcelos, integrante do projeto Garotas de Vermelho.

A educação menstrual é uma ferramenta que deve ser usada para educar e conscientizar toda a população, tornando mais fácil o acesso à higiene básica. Inserir esse assunto nas escolas é de extrema importância, pois muitos alunos e alunas sofrem com a pobreza menstrual que se dá também pela falta de informação e apoio.
Programa Dignidade Menstrual
Programa Dignidade Menstrual
Criado pelo Governo Federal e implementado em 17 de janeiro de 2024, o Programa Dignidade Menstrual tem como objetivo promover equidade de gênero, justiça social e garantia de direitos para meninas, mulheres e todas as pessoas que menstruam.
A iniciativa busca enfrentar a pobreza menstrual, realidade vivida por milhões de pessoas que não possuem acesso regular a produtos de higiene menstrual no Brasil. Para isso, o programa prevê a distribuição gratuita de absorventes higiênicos por meio das farmácias credenciadas ao Programa Farmácia Popular.
Empecilhos enfrentados por pessoas em situação de vulnerabilidade social
Embora o programa tenha sido criado para ampliar o acesso a produtos de higiene menstrual, diversas etapas do processo acabam se tornando obstáculos, principalmente para pessoas em situação de rua.
Entre as principais dificuldades, destacam-se o cadastro no CadÚnico, a exigência de documentos e acesso à internet ou a postos de atendimento, o que dificulta para pessoas que vivem em precariedade social. Além disso, a emissão da autorização depende de meios digitais ou presença em UBS, e a retirada dos absorventes exige documentação. Por fim, o limite mensal de 40 unidades pode ser insuficiente para algumas pessoas.
Além disso, a necessidade de renovar a autorização para a retirada dos absorventes a cada seis meses, somada às dificuldades de documentação, deslocamento e desconfiança em relação às instituições públicas, contribui para que parte significativa da população que mais precisa do programa tenha dificuldades em acessá-lo.
Algumas dessas dificuldades também aparecem nos relatos de quem tenta acessar o programa. Segundo Joana Dorneles de Souza, integrante do projeto Garotas de Vermelho, a equipe chegou a cadastrar uma menina para retirar absorventes em uma farmácia credenciada. Tudo parecia resolvido: cadastro feito, orientação seguida, mas ao chegarem ao local, veio a frustração: o estabelecimento já não aceitava mais o programa. “No final, ela acabou ficando sem os absorventes naquele momento”, contou. A situação só não foi pior porque o próprio projeto tinha algumas unidades disponíveis para doação.
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